{"id":279,"date":"2016-05-17T15:16:00","date_gmt":"2016-05-17T15:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/descobrirportugal.pt\/?p=279"},"modified":"2017-07-26T20:34:27","modified_gmt":"2017-07-26T20:34:27","slug":"que-porcarias-andara-a-comer-o-alentejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/que-porcarias-andara-a-comer-o-alentejo\/","title":{"rendered":"Que porcarias andar\u00e1 a comer o Alentejo?"},"content":{"rendered":"<p><b>O Alentejo foi sempre exemplo de regi\u00e3o onde a popula\u00e7\u00e3o soube encontrar, ao longo de s\u00e9culos, respostas originais e adequadas para as suas necessidades de subsist\u00eancia.<\/b><\/p>\n<p>\u00c0queles que, sem saber do que falavam, diziam que a cozinha alentejana era pobre e quase s\u00f3 \u00e0 base do p\u00e3o, respondiam os mais atentos que se tratava de uma cozinha de imagina\u00e7\u00e3o, perfeitamente adequada aos ecossistemas e aproveitando tudo o que, de comest\u00edvel, os alentejanos conseguiam ter acesso.<\/p>\n<p>A criatividade das mulheres para fazer frente \u00e0s necessidades de alimento das fam\u00edlias deu origem \u00e0s mais interessantes combina\u00e7\u00f5es da gastronomia portuguesa.<\/p>\n<table style=\"float: right; margin-left: 1em; text-align: right;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"clear: right; margin-bottom: 0em; margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/absolutoportugal\/photos\/a.10150343002433935.352070.124331758934\/10150343002448935\/?type=3&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/4.bp.blogspot.com\/-lRWB_EG9YCI\/VzseMhAZL8I\/AAAAAAAAFb8\/VaQv8U73NvgeHw9NRCjuQKk-zOPdj0NwACLcB\/s400\/384375_10150343002448935_453438957_n-2.jpg?resize=400%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"https:\/\/www.facebook.com\/absolutoportugal\/photos\/a.10150343002433935.352070.124331758934\/10150343002448935\/?type=3&amp;theater\" width=\"400\" height=\"360\" border=\"0\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">N\u00e3o sabe como se faz?<br \/>\nClique na imagem para ser encaminhado para a receita.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Em tempos de fome, deitavam m\u00e3o a tudo tivesse sabor e valor alimentar.<br \/>\nAs ervas eram fundamentais para tornar agrad\u00e1veis e apetec\u00edveis coisas que pareceriam incomest\u00edveis. E acabavam por assumir o papel principal em alguma refei\u00e7\u00f5es.<br \/>\nQuem nunca comeu uma a\u00e7orda de cardos, de beldroegas ou de urtigas n\u00e3o sabe o que tem andado a perder.<\/p>\n<p>Exagero de carne ou de gorduras era risco que os alentejanos n\u00e3o corriam. O porco da casa comandava h\u00e1bitos, geridos pelos ritmos da matan\u00e7a e da cura das carnes, sob o mando do Deus Inverno: Tinha de durar um ano inteiro at\u00e9 que chegassem os frios da pr\u00f3xima \u00e9poca. Carne e enchidos eram consumidos com a parcim\u00f3nia necess\u00e1ria para bastarem a toda a fam\u00edlia. Nada se perdia nas formas tradicionais de conserva onde a <i><b>manteiga amarela<\/b><\/i>, ali\u00e1s banha com colorau, desempenhava um papel essencial. E, no final, tamb\u00e9m ela\u00a0 seria consumida com as estilhas de carne que iam ficando&#8230;<\/p>\n<p>Vaca era coisa que quase n\u00e3o se pensava. At\u00e9 porque no Alentejo n\u00e3o havia vacas&#8230; subsistia um bicho muito semelhante que puxava carros, lavrava e arava: o boi. E ningu\u00e9m iria comer o seu instrumento de trabalho! A n\u00e3o ser quando a velhice estivesse para o derrotar&#8230;<br \/>\nDe carnes, o Alentejo de todas as restri\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do porquinho de sua cria\u00e7\u00e3o ficava-se pelo coelho e pelas aves &#8211; que n\u00e3o eram de capoeira porque cresciam nos terreiros \u00e0 volta das casas! \u00c0s vezes protegidos pelas cercas de cani\u00e7os.<br \/>\nEssa dos nacos de porco preto (que mania de pintar os porcos!) foi coisa inventada pelos moderna\u00e7os das cidades para crismar um bicho que sempre se chamou <i><b>porco<\/b><\/i> ou <i><b>porco alentejano<\/b><\/i>.<\/p>\n<p><a style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 0em; margin-right: 1em;\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-8lSfCXpImjE\/Vzrqv4RVWkI\/AAAAAAAAFbc\/0EIztWL7Gl4XcWK-aQY6rVBk7EoikPpWACLcB\/s1600\/08.jpg?ssl=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-8lSfCXpImjE\/Vzrqv4RVWkI\/AAAAAAAAFbc\/0EIztWL7Gl4XcWK-aQY6rVBk7EoikPpWACLcB\/s400\/08.jpg?resize=400%2C330&#038;ssl=1\" width=\"400\" height=\"330\" border=\"0\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a> E depois esquecem que Alentejo tamb\u00e9m \u00e9 peixe ou outros bichinhos de mar. Que tanto podem ser de rede ou de <i><b>pexeiro<\/b><\/i> em riste \u00e0 cata dos polvos, dos ouri\u00e7os das lapas&#8230;<br \/>\nPronto, l\u00e1 v\u00eam as memorias dos dias de mar\u00e9 rasa, quando ao Lago Margav\u00e9l ainda era permitido que conversasse com o mar em S\u00e3o Torpes.<\/p>\n<p>Ou a recorda\u00e7\u00e3o dos sabores das sopas de peixe em casa da minha av\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>E quem nunca lhe provou os de rio. no Guadiana? Que tanto podiam ser carpas de Juromenha ou&#8230; tudo o mais que ca\u00eda na rede no Pomar\u00e3o.<\/p>\n<p><a style=\"clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-9Y2ktZD0vD8\/VzscOKowt0I\/AAAAAAAAFb0\/_ZiCOMZ24o4bJMh4VaX_8wVRxFTWmIjOACKgB\/s1600\/08B.jpg?ssl=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/1.bp.blogspot.com\/-9Y2ktZD0vD8\/VzscOKowt0I\/AAAAAAAAFb0\/_ZiCOMZ24o4bJMh4VaX_8wVRxFTWmIjOACKgB\/s320\/08B.jpg?resize=290%2C320&#038;ssl=1\" width=\"290\" height=\"320\" border=\"0\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>Vem este arrazoado todo a prop\u00f3sito do tal <a href=\"http:\/\/expresso.sapo.pt\/sociedade\/2016-05-14-Portugueses-que-comem-mal-revelam-mais-sintomas-depressivos\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><i><b>Estudo<\/b><\/i><\/a> que diz que o Alentejo est\u00e1 dirimido, deprimido e obeso.<\/p>\n<p>Imp\u00f5e-se a pergunta: Que porcarias andar\u00e1 o Alentejo a comer? Pizzas? Suced\u00e2neos das multinacionais norte-americanos de subprodutos de encher o bandulho? Batatas fritas de pacote?<\/p>\n<p>Quando tal acontece com as crian\u00e7as&#8230; a culpa \u00e9 mesmo dos pais! Que deviam estar atentos e perceber se os seus filhos comem na Cantina da Escola ou andam a gastar o dinheiro dos almo\u00e7os naquelas mix\u00f3rdias que enxameiam as cercanias de todos os estabelecimentos de ensino.<\/p>\n<p>Andam a <i>dormir na forma<\/i> e os resultados est\u00e3o \u00e0 vista! N\u00e3o acordem n\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Alentejo foi sempre exemplo de regi\u00e3o onde a popula\u00e7\u00e3o soube encontrar, ao longo de s\u00e9culos, respostas originais e adequadas para as suas necessidades de subsist\u00eancia. \u00c0queles que, sem saber do que falavam, diziam que a cozinha alentejana era pobre e quase s\u00f3 \u00e0 base do p\u00e3o, respondiam os mais atentos que se tratava de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1062,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":""},"categories":[1],"tags":[351,469,657],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/descobrirportugal.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/19617718_yo4vz.jpeg?fit=1280%2C851&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p9IWTB-4v","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279"}],"collection":[{"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1063,"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions\/1063"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}