{"id":3721,"date":"2018-01-31T20:35:46","date_gmt":"2018-01-31T20:35:46","guid":{"rendered":"http:\/\/descobrirportugal.pt\/?p=3721"},"modified":"2018-01-31T20:36:02","modified_gmt":"2018-01-31T20:36:02","slug":"nem-portugueses-nem-espanhois-a-historia-dos-povos-promiscuos-da-raia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/descobrirportugal.pt\/nem-portugueses-nem-espanhois-a-historia-dos-povos-promiscuos-da-raia\/","title":{"rendered":"Nem portugueses nem espanh\u00f3is: a hist\u00f3ria dos povos prom\u00edscuos da Raia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Junto \u00e0 linha da fronteira do concelho de Chaves, de um e do outro lado do vale do T\u00e2mega, existem tr\u00eas lugares \u2013 Soutelinho, Cambedo e Lama de Arcos \u2013 onde, durante muito tempo, promiscuamente viveram os povos de ambos os pa\u00edses.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2516\" aria-describedby=\"caption-attachment-2516\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2516 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vortexmag.net\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/2557706766_8656810b9e_o-1-e1434570981778.jpg?resize=640%2C434\" alt=\"Cambedo da Raia - Fernando Ribeiro\" width=\"640\" height=\"434\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2516\" class=\"wp-caption-text\">Cambedo da Raia &#8211; Fernando Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestas aldeias, em tudo semelhantes a outras, os habitantes falavam uns o portugu\u00eas e outros o espanhol \u201cporque os sinais que designam a raia e que todos sabem muito bem onde ficam, est\u00e3o nas ruas, nas paredes das casas, e alguns dentro delas. Disto nasce a falta de respeito \u00e0s leis e \u00e0s autoridades (\u2026)\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8635\" aria-describedby=\"caption-attachment-8635\" style=\"width: 992px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8635 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vortexmag.net\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/soutelinhodaraia.jpg?resize=640%2C428\" width=\"640\" height=\"428\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8635\" class=\"wp-caption-text\">Soutelinho da Raia<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Soutelinho, \u201cn\u00f3s mesmos vimos num pequeno largo em que h\u00e1 casas situadas em terreno portugu\u00eas, <strong>estarem os contrabandistas a comprar cereais para introduzir neste reino<\/strong>, quando isto n\u00e3o era permitido, e estarem os empregados fiscais, mesmo ao p\u00e9 deles, sem poderem dizer a mais insignificante palavra\u201d (Vasconcelos e S\u00e1, 1861, publicado por J. B. Barreiros). Aqui, era sobretudo o contrabando a grande preocupa\u00e7\u00e3o de ambos os governos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2518\" aria-describedby=\"caption-attachment-2518\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2518 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vortexmag.net\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/7807799138_3d92dc9baf_b-1-e1434570952948.jpg?resize=640%2C425\" alt=\"Soutelinho da Raia - Fernando Ribeiro\" width=\"640\" height=\"425\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2518\" class=\"wp-caption-text\">Soutelinho da Raia &#8211; Fernando Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo sido rectificada a linha de fronteira pelos membros da comiss\u00e3o mista em 1856, que a encontrou tal qual aparecia descrita nos antigos tombos, a proposta portuguesa, j\u00e1 que ambos os pa\u00edses estavam de acordo em p\u00f4r fim a esta situa\u00e7\u00e3o que consideravam an\u00f3mala e lesiva, era de que a linha de demarca\u00e7\u00e3o deveria passar, em cada um destes lugares, por fora das \u00faltimas casas e a uma certa dist\u00e2ncia delas; quanto \u00e0 sua perten\u00e7a a um ou outro pa\u00eds, ela seria determinada pelo maior n\u00famero de fogos se situarem de um ou de outro lado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2519\" aria-describedby=\"caption-attachment-2519\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2519 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vortexmag.net\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lamadarcos-1.jpg?resize=640%2C426\" alt=\"Lama de Arcos (antiga parte espanhola da aldeia) - Fernando Ribeiro\" width=\"640\" height=\"426\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2519\" class=\"wp-caption-text\">Lama de Arcos (antiga parte espanhola da aldeia) &#8211; Fernando Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ser assim, Lama de Arcos (52 e 25 fogos, portugueses e espanh\u00f3is, respectivamente) e Soutelinho (80 e 12) passariam a pertencer a Portugal, enquanto Cambedo (13 e 25), a \u00fanica que no tombo do s\u00e9culo XVI era s\u00f3 portuguesa, passaria para Espanha. Mas, nas negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, Cambedo seria trocado pelas pretens\u00f5es portuguesas a Santiago e Rubi\u00e1s do Couto Misto e os tr\u00eas \u201cPovos Prom\u00edscuos\u201d integrados em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4501\" aria-describedby=\"caption-attachment-4501\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4501 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vortexmag.net\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/riodeonor323-e1446577240620.jpg?resize=640%2C480\" width=\"640\" height=\"480\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4501\" class=\"wp-caption-text\">Rio de Onor<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente era a situa\u00e7\u00e3o de Rio de Onor, um lugar muito antigo (provavelmente at\u00e9 anterior \u00e0 independ\u00eancia de Portugal), situado a Nordeste de Bragan\u00e7a, com dois n\u00facleos separados pela fronteira.<\/p>\n<figure id=\"attachment_7982\" aria-describedby=\"caption-attachment-7982\" style=\"width: 995px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-7982 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vortexmag.net\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/riodeonor23.jpg?resize=640%2C424\" alt=\"locais para visitar no Parque Natural de Montesinho\" width=\"640\" height=\"424\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7982\" class=\"wp-caption-text\">Rio de Onor<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto ao rio Racha (entretanto tamb\u00e9m apelidado da mesma forma que o lugar por onde passa) e \u00e0 sombra das serranias que formam as suas margens tortuosas, a parte portuguesa, a de \u201cBaixo\u201d e maior, disp\u00f5e-se a jusante da espanhola ou de \u201cArriba\u201d (hoje, Rihonor de Castilla), que uns 150 metros separam.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2170\" aria-describedby=\"caption-attachment-2170\" style=\"width: 1772px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2170 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vortexmag.net\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/riodeonor4-1.jpg?resize=640%2C427\" alt=\"Rio de Onor - Bragan\u00e7a\" width=\"640\" height=\"427\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2170\" class=\"wp-caption-text\">Rio de Onor &#8211; Bragan\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento da demarca\u00e7\u00e3o, chegou a considerar-se que deveria ser tratado este lugar como o haviam sido os Povos Prom\u00edscuos, j\u00e1 que, por um lado, as dif\u00edceis comunica\u00e7\u00f5es obrigavam a passar nos dois pa\u00edses e, por outro, os seus habitantes, vivendo de modo diferente, quando lhes convinha mudavam \u201cde bairro e de na\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2517\" aria-describedby=\"caption-attachment-2517\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2517 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vortexmag.net\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/4235583676_f7b6ceda42_o-1-e1434570968158.jpg?resize=640%2C430\" alt=\"Soutelinho da Raia - Fernando Ribeiro\" width=\"640\" height=\"430\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2517\" class=\"wp-caption-text\">Soutelinho da Raia &#8211; Fernando Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o Tratado manteria a situa\u00e7\u00e3o anterior, com a demarca\u00e7\u00e3o feita numa margem por um pequeno ribeiro e na outra pelas cumeadas das serras. Se, em muitos locais da fronteira transmontana, os conflitos entre moradores vizinhos atrasaram a demarca\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria do Tratado de Limites, o mesmo n\u00e3o se passou depois de Rio de Onor, onde grande parte da delimita\u00e7\u00e3o se apoiou no encaixado vale do Douro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Junto \u00e0 linha da fronteira do concelho de Chaves, de um e do outro lado do vale do T\u00e2mega, existem tr\u00eas lugares \u2013 Soutelinho, Cambedo e Lama de Arcos \u2013 onde, durante muito tempo, promiscuamente viveram os povos de ambos os pa\u00edses. 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