Aventuras

Um banho de sol, numa varanda com vistas do Açor!

Um banho de sol, numa varanda com vistas do Açor!

Escorrem estas linhas num banho de sol, numa varanda que abre horizontes para a Serra do Açor. O azul do céu é velado aqui ou ali por laivos de nuvens brancas. Logo além, as macieiras, as figueiras, as laranjeiras, os prados…

Mais desvanecidas as marcas do incêndio grande de há quatro anos. O verde da vegetação foi pintando o negro de que a terra vestira. Ilusória melhoria, com as mimosas a invadirem terrenos onde se albergavam medronheiros, carvalhos, castanheiros, pinheiros… que o incêndio levou naqueles dias de receio e susto para os que ainda habitam esta margem do Alva a que a freguesia foi buscar nome: Penalva de Alva, Oliveira do Hospital.

Penalva de AlvaAgora, um Inverno de seco e uma Primavera que quase não trouxe água faz ressurgir todos os medos e receios.
Mas a força do renascer da natureza, depois de tempos de desolação, vem carregada de cheiros e sons que desafiam para aventuras de passeio e contemplação.
Apetece centrar vistas na encosta da Serra. E os olhos trepam faldas e horizontes até às torres eólicas de que bordaram os cumes.

Penalva de AlvaCá de baixo, quase se conseguem percorrer num relance veredas e atalhos que se conhecem bem.

Passar para a outra margem do rio, subir à Aldeia das Dez, estacar de novo no miradouro e reencontrar as distâncias na paisagem.

Sou dos que acreditam que os caminhos servem para levar a algum lado…
E que, percorrê-los, é uma forma de quase ir chegando!

A manhã parece ter sido inventada para passear. Com cautelas, com calmas e vagares.
Não tarda nada, vão aparecer umas bátegas de água e o sol esfumar-se por detrás de umas nuvens.
Mas o vento acabará por as levar para outras paragens. Depois de deixarem alguma água (pouca!) que tão precisa é…

Penalva de Alva
Límpidas, cristalinas, as águas do Alva.
A merecerem aqueles barbos bem crescidos.
Fotografados cá do alto, da ponte de Penalva…

Quase como nas nossas vidas. Sempre a caminhar e à procura.
Sem olhar a aguaceiros, quase ignorando turbulências ou alterações de temperatura.
Na convicção de que a existência, na sua profundidade e complexidade, está muito para além do imediatamente visível e perceptível.
E por isso vale a pena!

• Fotos: Conceição Coelho

Sobre o autor

RDJ

Autor no Descobrir Portugal, com conteúdos dedicados a lugares, cultura, património e histórias de Portugal.

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